Com Pedro Rogel
O ex-jogador Gerard Piqué e o streamer Ibai Llano fundaram a Kings League em 2022 com o objetivo de adaptar o futebol tradicional à lógica de consumo da era digital. Através da empresa Kosmos. Piqué idealizou uma competição de futebol 7 que prioriza o dinamismo e a interatividade, surgindo como uma resposta direta à perda de audiência do esporte convencional para as redes sociais e os eSports.
O projeto foi concebido sob o conceito da economia da atenção. Os fundadores identificaram que as partidas de 90 minutos competiam em desvantagem com o ritmo frenético das múltiplas telas e do conteúdo sob demanda. Assim, a Kings League foi desenhada para ser um produto de ‘entretenimento total’, onde o esporte é apenas o ponto de partida para um show que incorpora dinâmicas e mecânicas de videogames.
A estratégia de lançamento focou na força das comunidades digitais. Em vez de clubes tradicionais, a liga entregou a presidência das equipes a grandes criadores de conteúdo e grandes nomes do futebol, garantindo uma audiência cativa desde a primeira transmissão na Twitch e no YouTube em 2023. O modelo de seleção de jogadores via draft e a implementação de regras disruptivas, como as “cartas secretas”, foram os elementos finais para garantir que o espetáculo fosse imprevisível e visualmente atraente.

Após consolidar o formato na Espanha, a liga iniciou sua expansão internacional, chegando a mercados estratégicos como o Brasil em 2025. O envolvimento de figuras globais, como Neymar, e de grandes nomes do streaming nacional consolidou a Kings League não apenas como uma liga alternativa, mas como uma nova categoria de consumo que une o campo ao mundo virtual de forma definitiva.
A chegada da Kings League ao Brasil marcou o passo mais ambicioso da expansão internacional da liga, transformando o país no principal polo estratégico do projeto fora da Espanha. Sob a presidência do ex-jogador Kaká e com o apoio direto de figuras como Neymar, o projeto brasileiro foi desenhado para unir a paixão nacional pelo campo com o engajamento massivo das comunidades de streaming e eSports.
Diferente do modelo original, a identidade brasileira é construída sobre a força das personalidades locais e a narrativa de rivalidade entre grandes criadores.

Tendo o Brasil como sede da Kings World Cup Nations 2026, o projeto de Piqué fecha um ciclo: o que nasceu como uma resposta à perda de audiência digital tornou-se a nova categoria de consumo dominante. No Brasil, a Kings League provou que o futebol do futuro não é apenas jogado, mas “vivido” em tempo real através de múltiplas telas, unindo definitivamente o gramado ao mundo virtual.







